Criança comia panqueca na casa do vizinho quando foi morta, diz família


Por Lidson Almeida, Jornal do Acre 1ª edição, Rio Branco

Maria Cauane e outras duas pessoas foram mortas no Bairro Preventório, em Rio Branco. Polícia diz que grupo tentava retomar boca de fumo.

Maria Cauane da Silva, de 11 anos, estava na casa de um vizinho comendo panquecas quando foi morta, na noite desta segunda-feira (14), no Bairro Preventório, em Rio Branco. Outras quatro crianças também estavam na área da casa quando houve um tiroteio. Além da menina, dois homens morreram na ação.

A polícia informou que criminosos chegaram no morro de barco e iniciaram um tiroteio. A versão é contestada pelos familiares das vítimas, que alegam que os tiros que mataram as três pessoas foram feitos pela polícia.



O Batalhão de Operações Especiais (Bope) nega as acusações. Segundo a polícia, os criminosos tentavam retomar a área dominada por outra facção. Durante o dia, o batalhão fez uma operação no bairro para identificar e prender membros de facção. Por volta das 16h, a equipe deixou o local e, logo em seguida, os criminosos teriam iniciado o tiroteiro.

Marlene de Paula chorou ao falar da filha morta nesta segunda (14) (Foto: Reprodução)

Marlene de Paula chorou ao falar da filha morta nesta segunda (14) (Foto: Reprodução)

Em entrevista ao Jornal do Acre 1ª edição, o pai de Cauane, José Carlos da Silva, afirmou que as pessoas não estavam armadas no local. “Essa culpa é da polícia. Chegaram atirando. Os meninos que estavam aqui não estavam armados, eles que chegaram atirando e atingiram minha filha. Não teve como reagir, porque estava de costas”, lamentou.

Muito abalada, Marlene de Paula Araújo disse que Cauane era filha única. Era minha única filha. Não queria que tivessem feito isso com ela. Só tinha minha filhinha.

O comandante do Bope, major Assis dos Santos, disse que os criminosos passaram a oferecer presentes para os moradores para fortalecer o crime. Ele negou que a polícia tenha matado as vítimas.

“A equipe que chegou no local soube do evento com a criança e, o que foi informado, é que a criança foi usada como escudo para saírem do local do tiroteio. Foi encaminhada uma equipe até o Pronto-Socorro e informada que a criança já tinha ido a óbito. Então, a questão de imputar um crime para a PM é uma artimanha usada pelos criminosos porque o Estado pode ser responsabilizado, mas o bandido não. Para eles é uma questão de diminuição do Poder Público”, complementou.


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